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Notícia
Reflexões de um Cachorro LoucoPerseverança Publicado em 30/06/2009 às 11:00Por Jon ‘maddog’ Hall Precisamos admitir que os britânicos têm uma forma única de fazer as coisas de tempos em tempos. É por isso que eu gosto de ir a Londres, mesmo quando tenho que sofrer com uma greve de dois dias do metrô justamente na hora da minha conferência. A conferência foi o Open Mobile Summit, de 10 a 11 de junho. Ela normalmente visa a gerência das empresas de telefonia, sejam operadoras, fabricantes de aparelhos ou projetistas de software. Com esse nome, pode-se imaginar que essas pessoas falariam sobre “abertura”. Algumas até falaram, mas a maioria ainda sofria do mesmo problema de tentar associar o telefone a uma operadora, e a operadora a um conjunto de serviços de que ninguém quer. A conferência nos permitiu conversar sobre nossas diferenças, e cada vez que vou a um evento como esse (o próximo é em São Francisco), continuo esperando que uma ou mais grandes operadoras consigam ver a luz, ou que um dos fabricantes de celulares aprenda honestamente o que significa “aberto” e aplique o conceito a seus produtos. Porém, este post é sobre dois pontos de Londres, o Royal Observatory (Observatório Real) e o Bletchley Park. Fui a Londres desta vez com duas missões principais. Eu queria um vídeo, ou ao menos uma foto, dos cronômetros marinhos de John Harrison, em exibição no Royal Observatory. Muito já se escreveu sobre a luta de John Harrison, um carpinteiro e relojoeiro autodidata que resolveu um dos grandes problemas do mundo, a navegação longitudinal, então não vou abordar essa questão aqui. O que eu gostaria de discutir, auxiliado por fotos de seus relógios, era o fato de que Harrison, após receber o dinheiro do prêmio por criar a solução para o cálculo de longitudes, não pôde patentear seu projeto de relógio. Essa impossibilidade permitiu que outros relojoeiros copiassem seu trabalho, mas também competissem na redução de custo do projeto final para que os cronômetros marinhos se tornassem tão baratos que até o mais simples barco oceânico conseguisse adquirir um. Se Harrison tivesse tido permissão de patentear seu projeto, essa concorrência não teria se desenrolado, e somente os capitães muito ricos conseguiriam comprar o relógio durante um certo período. Infelizmente, após viajar uma hora de metrô (nesse dia a greve já tinha terminado), consegui chegar ao Royal Observatory (onde ficam os relógios), mas me disseram que ninguém tinha permissão de fotografá-los. Se ainda assim eu quisesse tirar fotos, precisaria submeter um pedido com meses de antecedência... Então, tive que me contentar em comprar alguns cartões postais com fotos dos relógios. O problema é que esses cartões têm direitos autorais, então não posso simplesmente escaneá-los e postá-los na Internet. O próximo dia de viagem teve mais sucesso. Eu estava indo ao Bletchley Park, lar do esforço para quebrar os códigos secretos alemães na Segunda Guerra. Fui com um jovem amigo que encontrei em Londres. Ele era do Brasil, e seu pai estava trabalhando em Londres a uns onze meses. Meu amigo gostava de computadores, eletrônica e telefones celulares, então achei que ele gostaria de ver onde começou boa parte da história da computação. Quatro pontos principais de interesse eram o Bletchley Park propriamente dito, as máquinas Bombe (simples dispositivos mecânicos usados para quebrar códigos simples), o Colossus (primeiro computador eletrônico digital parcialmente programável) e a estátua de Alan Turing (um herói pessoal meu). Para aqueles que não conhecem a história de Bletchley Park, basta dizer que foi lá que milhares de pessoas trabalharam apressadamente (com base no trabalho de quebradores de código poloneses antes de a Polônia ser ocupada pelos alemães) para quebrar mensagens secretas e usar a inteligência para frustrar os planos da máquina de guerra alemã. Pelos padrões atuais, essas máquinas talvez pareçam rústicas, mas vieram das mentes de pessoas como Tommy Flowers (o engenheiro que construiu o Colossus) e Alan Turing. As máquinas de Bletchley Park foram destruídas após a Guerra e as pessoas que trabalhavam lá foram obrigadas a manter segredo – caso a guerra começasse novamente, os alemães não deviam descobrir que os Aliados haviam quebrado seus códigos. Ninguém sabia até os anos 1970 que os códigos dos alemães tinham sido decifrados, e que o Colossus sequer existira. Milhares de pessoas atravessavam os portões do Bletchley Park, vindo todos os dias de suas casas. Ninguém falou sobre o que faziam, nem mesmo 30 anos depois. Anos mais tarde, quando o projeto perdeu a confidencialidade, alguns de seus membros, trabalhando com partes retiradas de equipamentos telefônicos aposentados, produziram um modelo funcional do Colossus. Quando você for a Londres, pegue um trem até o Bletchley Park. Veja o Colossus decifrar mensagens criptografadas como o original fez há mais de sessenta anos. Lembre-se de agradecer às pessoas cujas inovações foram impulsionadas pelo orgulho cívico e o dever para com a humanidade.
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